segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Página de diário

Na primeira oficina de escrita (8ºA e 8ºB), partindo da leitura de um excerto de O Mundo em que Vivi, de Ilse Losa, sugeria-se que os alunos escrevessem uma página de diário.

Publicamos três dos trabalhos efetuados.

Lisboa, 01 Outubro 2009

Meu amigo secreto a quem conto tudo,       
Mais uma página te conto sobre o que sinto. Foi hoje!
Hoje perdi tudo, a minha companhia, o meu sorriso, a minha alegria, o meu apoio… Hoje perdi-a.
Eu bem sei que este dia havia de chegar, mas nunca me mentalizei! A minha neta, a minha única neta… A minha neta foi viver com os pais !
Eu bem sei que os pais têm de estar junto dos filhos, mas ela era minha! Fui eu que a eduquei , fui eu que a fiz rir, fui eu que sequei as suas lágrimas, fui eu que a ensinei o que era justo ou não.
Não me podiam separar da minha neta agora !
A Rose ficou triste, a minha neta não está feliz, ela queria tanto ficar comigo!
Hoje, quando a levaram, ela voltou a trás e disse-me ao ouvido: “vô eu vou só ali conhecer pessoas novas, mas não te preocupes, vô , eu volto eu juro que volto."
Nesse momento, não contivemos as lágrimas e começámos os dois a chorar.
Deixei de a ver, levaram a minha neta! Levaram a vida!E agora? Como vai ser? Como é que me vou levantar todos os dias sem ver a Rose?
Eu tenho de a ver ! Custe o que custar  eu preciso da minha neta!
Carolina Fontes (8ºA)

 Quarta-feira, dia 17 de Fevereiro

Hoje aconteceu algo triste, algo muito triste. Nunca pensei que este dia chegasse tão depressa, mas de facto chegou.

Os pais da minha linda neta vieram-na buscar porque querem que ela aprenda a ler e a escrever. Sinto-me bastante desamparado e com um vazio no coração. Esta casa não voltará a ser a mesma, vou sentir saudades de brincar com a Rose, chamá-la pela manhã para vir tomar o pequeno-almoço, contar-lhe uma história todas as noites antes de adormecer, fazer-lhe cócegas e dar-lhe miminhos.
Posso ir visitar a Rose sempre que quiser, mas a distância que nos separa e a minha velhice não facilitam nada.
Nunca vou esquecer todos os momentos que passei com ela, foram os anos mais felizes da minha vida e recordei bastante a minha infância com ternura.
Espero que a minha neta fique bem e que guarde todas as aprendizagens e momentos no seu grande coração de ouro.

Mariana Ribeiro (8ºA)


10/9/1980
Querido diário,
                        Hoje recebi uma carta da minha querida filha, ela dizia que precisava da sua filha ao pé de si para poder ser feliz. Após ter lido esta cartam o meu coração ficou-me na boca, só de pensar que poderei ficar sem a minha neta que tanto amo.
                        Resolvi perguntar à minha neta o que queria, precisava da sua opinião para poder tomar uma decisão, mas ela não facilitou as coisas e disse que queria ficar comigo. Esta resposta deixou-me feliz porque sabia que era amado pela minha neta, apesar de já não poder fazer tantas coisas como antes, mas, por outro lado, ela tinha de aprender a ler, a escrever para poder vir a ser uma grande mulher e, acima de tudo, o lugar dos filhos é ao pé dos pais.
                        Não me resta mais nada além de escrever uma carta para a minha filha e dizer a decisão da minha neta e o porquê de a minha filha não a tirar de mim.



15/9/1980
Querido diário,
                       Apesar da carta que escrevi à minha filha, hoje ela veio buscar a sua filha. Antes de a levarem ainda tentei falar com eles mas foi em vão. Dirigi-me à minha neta e comuniquei-lhe a decisão mas a sua reação foi a que esperava, não queria ir. Tenho a certeza que, naquele momento, sentiu revolta e muita tristeza e para acalmar isso disse-lhe para cantarmos (uma coisa que eu e ela fazíamos sempre nestas situações).
                     A canção que cantámos fez-me relembrar todo o tempo que passei com ela, daí, quando cheguei ao fim da canção, já tinha lágrimas nos olhos.
                    Sofri imenso ao vê-la ir embora mas sei que ficará bem entregue.   
 
                       
          Carolina Vicente (8ºB)

Ano letivo 2014/15

Por razões difíceis de concretizar, só agora iremos iniciar a publicação regular dos trabalhos resultantes de propostas das aulas de português. Neste ano de duas turmas do 8º Ano (com continuidade pedagógica em relação à maioria dos alunos) e uma turma do 7º Ano.

Contamos, ainda, publicar alternadamente, alguns trabalhos do ano letivo 2013/14.

Um bom ano!