quinta-feira, 21 de março de 2019

9.º Ano. E agora?! - Oralidade_9Ano | 2P (2018/19)

ATIVIDADE: 9.º Ano. E agora?!
OBJETIVO: Fazer uma apresentação oral, seguindo orientações prévias
RECURSOS: ppt+áudio
TEMPO: 5 min. 

DESCRIÇÃO: A proposta foi feita em sala de aula no início do 2.º Período. Manteve, nas suas linhas gerais o mesmo desenho de atividade proposto no ano passado, ainda que com alguns aspetos ligeiramente diferentes. Inicialmente, pensada para que esta fosse a primeira de duas propostas de apresentação formal no domínio da oralidade, concluiu-se que os alunos não estariam dispostos a tal, uma vez que a aproximação do prazo de envio do primeiro trabalho se aproximava e ainda não havia sido enviado qualquer trabalho.
Neste momento, os alunos desenvolvem os seus percurso de aprendizagem de forma quase autónoma e respeitando o seu ritmo. Assim, apostou-se na construção de dois recursos que pudessem suportar esta atividade. Por um lado um ppt e o respetivo áudio a acompanhar. Ainda não se experimentaram ferramentas online que pudessem, eventualmente, sintetizar esta materialização (ppt + áudio) uma vez que para o feito convém que o aluno se sinta à vontade na construção do seu trabalho e o faça o mais autonomamente possível. Ora, tendo em conta os contextos em que aprendem, o ppt e áudio são dois recursos cuja construção já dominam com relativa facilidade.
No seu processo de entrega da atividade para assimilação por parte do aluno, é apresentado aos alunos com a descrição sumária dos vários momentos da atividade e que devem ser seguidos. A temática proposta relaciona-se com o facto dos alunos estarem a concluir o 3.º Ciclo e terem, já no final deste ano letivo, de decidir, pelos menos, a área de estudos a seguir. É um momento de dúvida e alguma ansiedade. Assim, sugerimos este trabalho que talvez ajude a organizar ideias. O trabalho deve ser apresentado em dois momentos, no primeiro os alunos descrevem sumariamente o seu percurso escolar, descrevendo-se como estudantes, referindo aspetos mais relevantes. Na segunda parte, exploram as possibilidades de futuro.  
Dá-se a possibilidade dos alunos enviarem para pré-avaliação o recurso. Como o tempo que mediava a apresentação da proposta de trabalho e o do prazo de envio/entrega ainda era considerável, considerou-se necessário fazer, também, o registo da proposta em áudio, a fim de  proporcionar maior conforto aos aluno na construção do seu trabalho. 

Publicamos alguns dos trabalhos:

9.º Ano. E agora?! || O meu percurso escolar + áudio (só deve ser ligado depois do ppt estar aberto)


(em atualização)

quarta-feira, 20 de março de 2019

"Alunos preferem as aulas com professores-robot" - Apontamento

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Ontem, vi publicada, no Facebook,  a foto que acompanha, aqui do lado esquerdo, estas palavras. 

O título, "Alunos preferem as aulas com professores-robot", uma tradução muito à letra de "Pupils prefer lessons with robot teachers",  é provocador. Pelo menos na minha leitura. Li-lhe essa intencionalidade e, por isso, fiquei interessada e acabei por ler o texto.

No artigo, lê-se, logo no primeiro parágrafo, que os alunos preferem as aulas dadas por robôs em vez de professores "reais" pelo facto dos primeiros serem menos críticos e frustrados que os segundos. Outra vantagem seria ainda o facto de os alunos poderem fazer a mesma pergunta ao robô sem que este se mostrasse aborrecido. É ainda considerado vantajoso pelos alunos o facto de um professor-robot não saber se no dia anterior eles, os alunos, se tinham portado mal ou até se teriam algum problema ou doença. 

Claro que este post suscitou comentários. Quando vi a caixa de comentários. Antes do meu, já havia cinco comentários. Todos eles contra essa ideia de que um robô pudesse substituir o professor real.

Mas eu não penso assim. E resolvi, também, comentar. O que escrevi foi o seguinte:




"Bem... Nesta última semana, tenho repetido a seguinte frase aos alunos: "Olhem para mim como uma daquelas máquinas de café em que pomos a moeda e o café cai." E sabem o que acontece? Em vez de me pedirem de forma vaga e apenas "a folha dos exercícios" que podem ser para uns do verbo, para outros da pontuação, nomes, adjetivos, guião da entrevista, etc, começam a pedir, precisamente, aquilo que querem, ou seja, os exercícios da flexão do verbo, o guião do relatório, etc. E os documentos são distribuídos. Pois é. E sabem, funcionando com eles e entre eles quase como uma máquina que os orienta na operacionalização de cada um dos percursos que cada um vai também desenvolvendo, portanto, quase como se fosse uma máquina, nunca me senti tão humana ali, na sala de aulas e tão perto deles. Por isso, eu percebo essa preferência e não podia estar mais de acordo."

Talvez devêssemos pensar melhor e mais neste assunto. Afinal, trabalhamos para e com eles. Isto se  é mesmo verdade que preferem aprender assim, sem afetos. Mas estes também são precisos. No entanto, e se calhar ou não, no momento em que entregamos, em inglês é muito melhor o verbo - delivery -, o processo de aprendizagem ao aluno, esse momento deveria estar livre de qualquer emoção. Sim, porque isso pode condicionar a construção do conhecimento que o aluno tem o direito a fazer livre de qualquer intencionalidade individual nossa. Não os devemos influenciar, nem servir de muleta. Pelo menos é isso que dizemos, que os queremos responsáveis e autónomos. E o pensamento crítico? Queremos que eles pensem ou que pensem como nós?

Mas e os afetos? Não serão também tão importantes? Há quem diga que sim. Pode um aluno gostar daquele professor que funciona como se de um robô se tratasse quando o orienta para aprender?

Claro que pode. Ao professor também compete ser humano. O professor é uma pessoa. E como se faz isso?

Também tenho umas ideias a partilhar sobre o assunto. Hoje, fica mesmo só este apontamento para não me alongar e preciso de começar a estabelecer temáticas distintas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Como se (a)prende um novo paradigma? - II

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Estou apostada em desenvolver a partir de agora uma forma diferente de estar em sala de aula. Não precisaria de aqui partilhar esta impressão, ideia, projeto. Ainda assim sinto essa necessidade porque uma parte da justificação que levou a esta mudança de paradigma está diretamente relacionada com a minha competência adquirida ao longo dos anos no domínio da pedagogia em elearning. E essa mestria está relacionada, tem de estar,  com o saber estar na rede. É-lhe inerente. As ferramentas da web 2.0 têm na sua essência essa permanente e natural necessidade de serem partilhadas. É dessa forma que se constrói o conhecimento nesse e neste mundo.

Por isso, nada mais natural para mim do que estar aqui a escrever estas palavras. Posso mesmo dizer que é quase uma necessidade. Este processo de escrita permite uma reflexão que vai exigindo em simultâneo a tomada de decisões. Concomitantemente, vou criando neste preciso momento situações mentais de aprendizagens que irei, a posteriori, usar na construção de situações de aprendizagem. Em suma, trata-se de uma partilha generosa, digamos assim, mas é, também, e antes de mais, uma ajuda a todo este processo. Sei que na escrita no papel isto não me acontece. 

No seu título, este post tem o número II, porque se trata da continuação deste.

Sim, porque tudo o que fazemos tem as suas referências e este meu projeto de mudança está sustentado por múltiplos fatores, um dos quais a sua própria fundamentação. 

Tem-me acontecido encontrar em partilhas da rede social Facebook, particularmente, referências a estudos e experiências onde se podem ler referências a literatura que poderiam sustentar todo o trabalho que tenho realizado. Vou guardando, na esperança de um dia ter como as ler. Ou, então, encontrar uma parceria que, mais desafogada de tempo e sem a responsabilidade de todos os dias "enfrentar" cinco turmas de alunos, consiga sustentar em teoria tudo o que aqui irei descrever à laia de memória descritiva. 

No entanto, para vir a chegar ao momento em que apresentarei a estrutura desta nova forma de trabalhar, sinto, em mim e por mim, esta necessidade de encontrar a chave de todo este processo. Como se fosse importante, mais, relevante, conhecer a matriz. Afinal, todos temos necessidade de saber de onde viemos para saber quem somos e perceber o que andamos a fazer.

E é por isso que, neste segundo momento, já vai longo, continuarei a fazer menção à questão da formação. Sim, sem dúvida, como dizia no post do dia 9 março, um aspeto muito importante para esta construção. E se nesse dia aludi, e aplaudi, com saudade melancólica, o momento inicial da minha formação após a licenciatura, momento que foi totalmente desprovido, como poderão recordar aqui de qualquer formalismo, hoje, termino por remeter para esta página onde poderão identificar todos os momentos formais de formação por mim frequentados até hoje. Ainda não está atualizado com a  formação feita neste ano letivo. 

Não me irei alongar mais, por agora. Apenas registo ainda que nos próximos postes irei destacar aqueles momentos de formação que, na minha ótica, mais terão contribuído para a aprendizagem deste novo paradigma. 

sábado, 9 de março de 2019

Como se (a)prende um novo paradigma? - I [ A relevância da formação_Parte I]

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  A relevância da formação_Parte I
O que é ser professor em 2019 e trabalhar a partir de um novo paradigma? Pois.
Essa é a questão.

Claro que a resposta é simples, demasiado simples: o novo paradigma é passar a ter o aluno ao centro. Aliás, existe um projeto com essa designação.

E claro que a ideia também é simples. E, no fundo, todos os que são professores acreditam que todos os dias, em todas as "suas" salas de aula cumprem esse desígnio.

Será?

E será que as aulas continuam a ser suas? Será que alguma vez o foram?

E como se operacionalizam as ideias, os planos, as atividades nesse novo paradigma? Como se trabalha, em sala de aula de 15, 20, 25 alunos, nesse paradigma? Todos os dias? Com todos os conteúdos? E em cumprimento de todas as Aprendizagens Essenciais, Competências e Programas?

Pois.

A resposta não é simples. Mas possível. Onde se aprende? Qual é a formação?

Comecei há quase trinta anos, no Algarve, colocada em Messines, a aprender aquilo que agora ponho em prática. Residi durante alguns meses em Algoz, lugar a meio caminho entre Messines, Albufeira, a Guia... Ou do outro lado Armação de Pera, depois Portimão, Lagos, Sagres...

Nesse lugar, arrendara um daqueles espaços que no inverno era ocupado por professores e onde, depois, no verão, pernoitavam os turistas... Era um dos anexos de uma vivenda cuja dona ("senhoria") já fora, também, professora e, naquela altura, passara a inspetora. Tivemos imensas conversas. Professora do 1.º Ciclo tinha um saber de experiência feito que gostava, queria, e passava a quem com ela "perdia" minutos, horas a falar. Naquela altura, já não a "deixavam" fazer o que começara a fazer enquanto inspetora. Ou seja, fora para inspetora, numa altura em que se desejava que estes, os inspetores, fossem uma espécie de formadores itinerantes. E a professora Eulália gostava do que fazia. Porque gostara de ser professora e sentira que estava na hora de passar a palavra. E, por isso, gostara de ser inspetora no princípio. Depois, quando a "proibiram" de conversar com  os professores que inspecionava sobre a(s) pedagogia(s) e a sala de aula e os alunos, deixou de gostar do que fazia.

Contou-me que acompanhara, nesses primórdios,  um projeto, segundo me lembro, foi mesmo a professora Eulália que o iniciou, apelidado de OFA (Observa, Faz e Aprende). Quando a ouvia falar, tudo aquilo fazia tanto sentido para mim. Sim, eu acreditava naquilo. Sim, eu era um exemplo. Era possível aprender, observando e fazendo. Provavelmente, é assim que mais aprendemos. Eu aprendera muito assim. Aprendo. E vejamos o sucesso das atividades experimentais das aulas de ciências, sejam elas naturais ou as agora só físico-químicas. Pensemos na educação física. Nas TIC, educações visuais e tecnológicas.

É assim que mais se aprende: observando e fazendo.

E, julgo que esse terá sido o meu primeiro momento de formação. Quase fortuito, sem  inscrição, sem créditos, sem contagem de horas. Gratuito certamente. Mas tão importante, tão relevante.

E foi aí, também não tenho dúvidas, que este novo paradigma começou a nascer.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Entrevista fictícia a Alice Vieira

No Percurso de Aprendizagem (PA) proposto nas turmas do 7.º Ano onde se pretende que cada  aluno se aproprie do conhecimento e técnica necessárias para identificar, ler e compreender entrevistas e ainda seja capaz de produzir um guião de uma entrevista, propôs-se que fosse feita uma entrevista fictícia a Alice Vieira. 
Foi disponibilizado um guião e dados biográficos sobre a escritora, podendo o aluno pesquisar mais, tendo de solicitar a validação da pesquisa.
O trabalho foi desenvolvido em sala de aula.

Publicam-se três dos produtos finais, podendo o post ser futuramente atualizado, conforme a atividade for sendo concluída por mais alunos. Refira-se que os alunos desenvolvem o trabalho, respeitando o seu próprio ritmo. Todo o trabalho é supervisionado e coordenado pela professora. 

ENTREVISTA 1
A escritora Alice Vieira foi convidada para ir a biblioteca da escola Dr. João das Regras falar um pouco sobre o seu livro Rosa, minha irmã Rosa e, por isso, fomos falar com ela.
Pergunta:
Como foi receber o prémio de literatura infantil, ano internacional da criança com o livro Rosa, minha irmã Rosa?
Resposta:
Foi muito bom não estava nada a espera fiquei muito feliz ao saber que tinha ganhado o prémio de literatura infantil.
Pergunta:
Alice sempre disse que nunca na vida queria ser escritora mas sim jornalista. Porque é que não seguiu  só jornalismo?
Resposta:
Eu sempre fiz trabalhos de jornalismo mas à medida que ia escrevendo pensei em publicar alguns livros e vi que até como escritora tinha muito para dar e então segui um pouco dos dois.
Pergunta:
Como foi o teatro na sua vida?
Resposta:
Eu sempre adorei teatro ia sempre com os meus tios ao teatro D. Maria II como também a revista do Parque Mayer. O teatro entrou muito cedo na minha vida eu conhecia aquela gente toda, ia ao bastidores todos falavam comigo.
Pergunta:
Onde gosta mais de trabalhar?
Resposta:
Onde eu gosto mais de trabalhar é na Ericeira. Adoro pegar no meu computador e ir para a Ericeira trabalhar.
Pergunta:
O que quer continuar a no futuro?
Resposta:
No tempo que me resta aquilo que queria realmente era continuar em jornais. E também continuar a escrever mas não sei ainda o que.

O livro de Alice Vieira "Rosa, minha irmã Rosa", ganhou o Prémio de leitura infantil no ano internacional da criança em 1979.
Alice vieira sempre quis ser jornalista mas foi descobrindo a sua vontade de escrever e publicar livros e hoje em dia e considerada uma das mais importantes escritoras portuguesas de literatura infanto -juvenil.
O teatro foi uma das coisas mais importantes na vida da escritora. 
Leonor B.

ENTREVISTA 2

Alice Vieira foi convidada a vir à biblioteca da escola E.B 2,3 Dr.João das Regras para falar aos alunos sobre os seus livros com objetivo de falar sofre um livro em especial : Rosa, minha irmã Rosa
Como muitos alunos têm irmãos e para também perceberem o porquê de Alice Vieira ter escrito este livro. Fomos falar com ela.
Pergunta: Porque é que decidiu escrever este livro?
Resposta: Porque era um tema de que eu gostava de falar , neste caso escrever. Eu nunca quis ser escritora, eu adorava escrever e aprendi a ler sozinha, mas o meu sonho era ser jornalista.  
Pergunta: Porque decidiu ser escritora e não atriz?
Resposta: Porque apesar do teatro entrar na minha vida muito cedo, e ir muitas vezes com os meus tios... as minhas tias nem tanto...Ler e escrever era a minha vida.
Pergunta: Por onde começou?
Resposta: Comecei desde cedo a trabalhar no jornalismo, tendo trabalhado em alguns jornais como: " Diário de Lisboa ", e também com o meu marido no " Diário Popular " e " Diário de Notícias " e também em revistas como " Ativa " e o " Jornal de notícias ". Tudo isto me ajudou a praticar a escrita.
Pergunta: E como foi ganhar o prémio Hans Christian Anderson?
Resposta: Foi incrível, trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens.
Pergunta: E o que pensa fazer no futuro?
Resposta: No tempo que me resta, aquilo que realmente queria fazer era continuar em jornais ou até escrever livros de poesia. Vou pegar no meu computador e ir para a Ericeira trabalhar.
Com isto percebemos que de novos a mais velhos a leitura e a escrita vão estar sempre presentes.
Alice Vieira é prova viva de que por mais de uma vida de trabalho e de prémios que podemos receber, tivemos de aprender primeiro e praticar a vida toda. E que por mais velhos e cansados que estivermos, devemos fazer o que nos faz feliz, e Alice Vieira prova-nos isso mesmo nesta entrevista.
Carolina M.

ENTREVISTA 3

  A escritora Alice Vieira foi convidada para ir a escola EB 2,3 Dr. João das Regras para falar do seu livro Rosa, Minha Irmã Rosa, que foi o primeiro livro publicado pela autora, tendo esse livro recebido o prémio de Literatura do Ano internacional da Criança. Alice Vieira foi convidada para vir à nossa biblioteca escolar, pois os alunos gostavam imenso dos seus textos porque os achavam inspiradores e muito expressivos, por isso fomos falar com ela.
   PerguntaComo foi receber os prémios que recebeu?
   Resposta: Fiquei muito surpreendida, não estava a estava à espera, sendo que até o primeiro livro que publiquei foi premiado mas foi uma alegria e uma emoção enorme.
   Pergunta: Como é sentir que as pessoas gostam de ler os seus livros?
   Resposta: É uma alegria enorme, uma sensação de preenchimento. Nós escrevemos livros para contar a nossa história ao mundo, nós escrevemos porque precisamos de nos libertar e a escrita é a melhor maneira para isso.
   Pergunta: Já sabemos que sempre foi muito apegada ao teatro gostava de representar um dia?
   Resposta: Adorava porque sempre fui ao teatro com os meus tios e tenho vários amigos nesse ramo. Adorava representar, acho ótimo entrarmos na pele de outras pessoas e termos oportunidade de sentir o que elas sentem.
   Pergunta: Como é sentir que as pessoas estão a ler cada vez menos?
   Resposta: Ainda bem que fez essa pergunta porque as pessoas estão a ler cada vez menos e qualquer dia com muita pena minha vai deixar de haver livros, por isso, devemos sensibilizar as pessoas a lerem cada vez menos porque também as ajuda a desenvolverem-se e a desenvolverem a fala, entre outras coisas.
   Pergunta: Como é que a sua família reagiu ao facto de se tornar escritora?
   Resposta: Muito bem, na verdade muito melhor do que estava à espera, encorajaram-me imenso e apoiaram-me sempre para que eu não desistisse.
    No final da entrevista Alice Vieira fez uma sessão de autógrafos do seu livro Rosa, Minha Irmã Rosa. A entrevista correu muito bem e a autora mostrou-se sempre disponível e bem disposta para responder a tudo. Percebemos também que a a escritora não tem qualquer problema em falar do seu passado.
Daniela F.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Hora de mudar... Português 3D


De repente estamos numa sala de aula silenciosa, onde tudo funciona bem. Onde não há ruído, os miúdos vão fazendo... No momento a seguir, continuamos naquela sala de aula e começamos a perceber que os miúdos vão fazendo e até estão em silêncio, mas pouco vão aprendendo. Ou melhor, alguns vão aprendendo. Outros não fazem barulho já que isso iria provocar a reação da professora. E aprender? Quantos aprendem? Aqueles que cumprem as várias tarefas. Aquelas que seguem as orientações. Aqueles que desenvolvem as atividades. Aqueles que começam e acabam.
Mas, e quantos são?!
Pois, cada vez menos. Cada vez menos. Portanto, havia que proceder a mudanças, havia que tornar o terreno árido em algo que fosse verdejante.

E foi a perceção de que cada vez menos alunos fazem "coisas", cumprem tarefas, desenvolvem atividades que exigiu uma mudança de paradigma. Se é certo que já muitas das atividades propostas em sala de aula exigiam a participação direta dos alunos, também é certo que se tratavam ainda de propostas desenhadas para o grupo / turma, tendo como tempo de realização aquele que a professora considerava necessário para a sua concretização. Ora, nem sempre é assim. O tempo dos alunos não é o tempo dos professores.
Portanto, e se o foco passasse a ser no tempo deles? Faria diferença? Fez. Esse pormenor foi suficiente para que o trabalho, em sala de aula, passasse a ser efetivo. E, o mais importante, para todos. Ou seja, todos os alunos passaram a percorrer o mesmo caminho. Todos os alunos constroem o seu conhecimento, através de um percurso igual, mas desenvolvido a tempos diferentes. Até agora, esse pormenor está a fazer toda a diferença, já que permite maior individualização, diferenciação e, principalmente, permite que cada aluno desenvolva o seu espaço de autonomia, tomando consciência do seu próprio percurso, das suas facilidades e dificuldades. 

Esta quase exigência de mudança surgiu num ano em que a professora frequentava uma ação de formação sobre a gestão de conflitos em sala de aula, sendo que uma das propostas de medidas para superação desses problemas residia precisamente nas propostas de atividades sustentadas em trabalho de equipa. Por outro lado, aproximava-se a altura de ter de trabalhar em turmas do nono ano Os Lusíadas. Texto que cada vez se torna mais difícil de trabalhar à luz da leitura clássica...

Assim, juntando esses dois fatores, aconteceu o surgimento do Método Português 3D. Inicialmente, pensado para as seguintes três dimensões: Cidadania, Conhecimento, Criatividade, neste momento assenta em três pilares diferentes mas que estão a permitir a construção de grupos de estudo, primeira etapa para adquirir competências para o estudo e aprendizagem: Responsabilidade, Autonomia e Conhecimento (Aprendizagem). 

Através de percursos de aprendizagem (PA) desenhados de forma a que cada aluno, individualmente ou em pequenos grupos (equipas), possa construir o seu conhecimento, os alunos vão sendo responsabilizados pelo tempo de estudo / trabalho que demoram a desenvolver os percursos. Desta forma, tornam-se não só mais responsáveis, mas também autónomos. O que irá garantir, acredita-se e começa-se a provar, o seu sucesso. 

Neste caminho, há espaço e tempo para um apoio mais individualizado por parte da professora que, pontualmente, e quando necessário, propõe medidas diferenciadoras aos alunos que delas necessitem. No entanto, tem sido interessante verificar que todos os alunos conseguem desenvolver os percursos, variando apenas o tempo em que os concluem. Começamos a acreditar que será possível trabalhar assim todos os dias do ano em todos os anos. É preciso tempo.