quarta-feira, 12 de junho de 2019

Mapas mentais - Uma moda? Ferramenta ou produto para avaliação? Ambos? E a pedagogia PORTUGUÊS 3D.

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Nestas linhas não tenho tempo para desenvolver cientificamente a temática em epígrafe, antes serve o post para formular questões que espero vir a estudar, chegando ou não a conclusões.
No presente ano letivo, fruto do projeto "Aluno ao centro" com implementação no Agrupamento de Escolas onde leciono e a cujo quadro pertenço, fomos, literalmente, invadidos pela ideia dos mapas mentais. O tema está presente na sala de professores, nas reuniões, no bar, nos corredores da escola. São, parece, "salvadores" dos problemas de aprendizagem que ocorrem em sala de aula. E fora dela também, certamente.

O grupo de professores e alunos onde o projeto "Aluno ao Centro" está a ser implementado teve a oportunidade de ter formação de algumas horas a propósito do assunto. Todos gostámos. Afinal, houve interação, pudemos "brincar" com folhas de papel em branco e usar marcadores. Fizemos desenhos associados a conceitos, ideias, objetos apenas e usamos cores. Fizemos associações. Partilhamos ideias. Tornamos tudo colorido. Uma lufada de ar fresco. Soube bem.
E agora?
 Que fazemos com esse conhecimento? Com essa aprendizagem? Os alunos estão a usá-la para aprender? Ou usam-na  para produzir produtos finais que estão a ser avaliados pelos professores?

E devem os mapas mentais de cada aluno ser avaliados segundo critérios definidos pelos professores? Afinal, os mapas não são mentais? Não são as nossas mentes tão diversas umas das outras? Como pode um elemento estranho à nossa mente, o professor, definir, previamente, critérios de avaliação e classificação de um produto final que não pode controlar? Ou o que se pretende é que todos façam o mesmo mapa mental?

Na tal formação em que participei, o que mais me entusiasmou sobre o assunto foi precisamente o facto daquela  ferramenta poder e dever (pelo menos foi essa a leitura que fiz da mensagem passada) ser usada por cada um de nós para o fim que lhe quiséssemos dar, sendo uma espécie de reflexo, espelho da forma como cada um de nós organiza as ideias e processa a informação.
Olha para o que lê, vê e até, porque não, sente. Afinal, também deveria ser possível fazer um mapa mental do coração. Ideia interessante sem dúvida.  Em suma, aprende.

Em que momento da construção do mapa mental de cada aluno deve o professor intervir? Como fazê-lo? Para quê? Porquê?
Devem os alunos construir os seus mapas mentais em casa ou em sala de aula integrados nas tarefas que desenvolvem porque naquele momento se pretende que organize as ideias. Ou o próprio aluno sente essa necessidade.  Devem os mapas mentais substituir a construção de tópicos com as ideias essenciais de um texto, processo que antecede a construção do resumo de um texto? Devem fazer ambos os exercícios? Devemos permitir que escolham? Será o mapa mental um trabalho de síntese ou de resumo? Como conseguimos explicar aos tudo isto aos alunos de forma a que a ferramenta seja útil? Ou será que o melhor é mesmo deixá-los andar?...

Funcionam os mapas mentais da mesma forma para todos? Precisam todos de fazer mapas mentais?

Eu, por exemplo, não gosto de fazer desenhos nos meus. E tenho o traço torto. Ficam feios. No entanto, agora, como antes, sempre partilhei esquemas onde constassem as ideias essenciais de forma a que pudessem servir de referência para que, depois, no seu estudo os alunos construíssem os seus. Seriam já mapas mentais?

Desde há muito que, no trabalho direto com os alunos, sugiro a utilização funcional da cor. Da cor e dos números e até da forma. Estratégias que facilitam a organização e, sem dúvida, a memorização. Seriam estas dicas componentes prévias daquilo a que se chama agora mapas mentais? 
Claro que há mapas mentais que são quase obras de arte. Do ponto de vista estético bastante agradáveis. E.X.C.E.L.E.N.T.E.S.! Mas os alunos aprenderam? Apreenderam? Ficaram a saber? Vão reutilizar?


Essa é a questão. Como poderemos aferir esse aspeto? Haverá lugar à construção de matrizes? Sinceramente, não me parece. Mas, então, como poderemos usar como produto final de trabalho a avaliar?
A outra é perceber como aprendem os alunos a fazer mapas mentais. Em que aulas? De que forma. 
Devíamos ter tempo para refletir sobre estes assuntos e outros. E agir. Construir. Fazer. 
E mostrar, claro. Mostrar sempre. Partilhar. Essencial. 





NOTA: As imagens publicadas decorrem do desenvolvimento de propostas de trabalho incluídas nos percursos de aprendizagem que os alunos vão construindo em sala de aula, num ambiente pedagógico de trabalho que é sustentado em três pilares: +responsabilidade, >autonomia = a aprendizagem, conhecimento, saber, estar, sentir, brincar, respeitar, etc.
Trata-se de um processo que tem vindo a ser desenvolvido numa das salas de aula de português da escola EB Dr.  João das Regras (Aedlv) e por mim designado por PORTUGUÊS 3D.
Este processo foi já partilhado em reunião de departamento e teve da parte dos colegas afável recetividade. 
Ainda em relação às imagens, não sendo exemplos fieis daquilo que se designa por mapas mentais, são, sem dúvida, na minha ótica, o embrião para que possa ser desenvolvida essa ferramenta em prol da aprendizagem dos alunos. Aliás, a disciplina de português, pela sua inerente e natural transversalidade, é um espaço excelente para desenvolver essa capacidade em articulação com as outras disciplinas. 
Partilho também o ppt que usei na apresentação das aulas de português em formato 3D aos colegas do departamento. Claro que o ppt em si diz muito pouco. :) Um destes gravo o que mais há a dizer e mostrar. Quando o tempo der tréguas. Ambos os assuntos fazem parte dos meus mapas mentais quotidianos e têm, paulatinamente, dado origem a reflexões mais estruturadas que tenho, também,  partilhado aqui e na escola, consciente da importância e relevância, para mim e para os outros, deste novo paradigma que começo a ter como referência no trabalho desenvolvido em sala de aula e que curiosamente vai ao entro da ideia veiculada pelo projeto mencionado em cima "Aluno ao centro". 

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Como se (a)prende um novo paradigma? - IV [ A relevância da formação_Parte II]

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 A relevância da formação_Parte II

Continuemos, então, a fazer a tal análise ao conjunto de formação por mim efetuado, procurando encontrar nele um dos fios condutores que justifiquem a tal mudança de paradigma.

Além da referência ao primeiro momento de formação não formal que foi, sem dúvida significativo, e sobre o qual falei aqui, não deixa de ser também relevante o facto do primeiro momento de formação formal ter sido feito no âmbito daquilo que hoje em dia se designa por Português Língua Não Materna (PLNM) e que na altura é, simplesmente, o Português para Estrangeiros. Tive essa experiência em 1993 e sem dúvida que me abriu a porta da pedagogia funcional da língua. E que quero eu dizer com isto? Muito simples, na escola onde trabalhei, as pessoas pagavam para saírem da escola ao fim de uma semana a saber o essencial para comunicar. Logo, tudo o que fosse superficial na aprendizagem não se dava. Penso que muito daquilo que ainda hoje se considera aprendizagem essencial no que à disciplina de português diz respeito deveria passar por esse crivo funcional.

A seguir, em 1999, a primeira ação de formação frequentada no âmbito da diferenciação, Pedagogia Diferenciada: da Teoria à Prática, onde pela primeira vez terei refletido sobre a necessidade de diferenciar

Destaco, depois, a formação creditada feita no âmbito da Expressão Dramática - Para uma Utilização Integrada do Corpo e da Voz,  em 2001, e que me deu ferramentas ainda hoje utilizadas em sala de aula. Esta formação teve continuação em 2002, com  O Prazer da Comédia, formação também creditada. 

Em 2003, frequentei a ação de formação - Iniciação à Leitura / O Método João de Deus - , que, pese embora não me tenha dado ferramentas ou conhecimento que pudesse usar em sala de aula, uma vez que não faz parte das minhas competências ensinar a ler e a escrever, serviu para uma tomada de consciência sobre a importância do método muito importante. Ou seja, frequentemente, refletia sobre a relevância de se usar este ou aquele método no processo de aprendizagem. Frequentemente, tentava perceber por que razão, às vezes, uma atividade funcionava e outras vezes não. Uma das razões que me levaram a inscrever nesta formação foi precisamente perceber a razão pela qual uma forma de aprender a ler e a escrever já tão antiga continuava a funcionar. E a resposta foi muito simples: funciona porque naquela escola se decidiu que se ensinava daquela forma. Isto é, existe uma matriz pedagógica que é respeitada e seguida por todos os professores / educadores. Portanto, parece-me que essa pode ser parte da chave do sucesso. 

Neste périplo pela formação efetuada até agora e a sua relevância, vou terminar este post com a referência a uma das ações que mais eficácia tem mostrado ao longo dos anos, no que respeita o trabalho direto com os alunos e com os colegas. Trata-se da ação Ler, Lazer e Aprender, frequentada em 2006. Para se perceber a dimensão desta formação, remeto para o seguinte site: "Ler, lazer e aprender". Fica uma breve síntese: Tratou-se de uma ação de formação frequentada com outras colegas da Escola (na altura ainda não éramos agrupamento). A aprendizagem passou por perceber como implementar um projeto de leitura que proporcionasse aos alunos diariamente 15 minutos de leitura autónoma. Eu e as colegas da escola formámos uma equipa de trabalho e o nosso trabalho final foi o resultado da implementação dessa ideia ainda naquele ano letivo na escola já que tínhamos uma turma em comum. E funcionou. De tal maneira que até hoje o projeto se tem mantido. No ano passado, no âmbito do Festival Livros a Oeste, e numa das rubricas do programa,  apresentámos o projeto de leitura à comunidade


quinta-feira, 11 de abril de 2019

3.º DESAFIO - Histórias em 77 palavras (1)

Do desenho pedagógico proposto nas aulas de PORTUGUÊS| 3D faz parte um atividade desenvolvida no ambiente da disciplina eportuguês (plataforma Moodle do Aedlv) que tem como objetivos promover:

- a utilização das TIC;
- a escrita;
- a criatividade;
- autonomia.

Desta atividade decorre a recolha de elementos de avaliação não só no domínio da escrita e TIC como também nas atitudes e valores já que, não se tratando de uma atividade com um tempo específico de realização em sala de aula, os alunos terão de dedicar tempo de estudo / trabalho autónomo para a desenvolver. Assim, é possível aferir do seu interesse, empenho e autonomia.


No presente ano letivo, já foram propostas quatro atividades designadas de Desafios MOODLE | 2018/19.
Fórum

Apresentamos, hoje, o terceiro desafio.

3.º DESAFIO - Histórias em 77 palavras (1)


Foi pedido aos alunos que escrevessem uma pequena história de 77 palavras onde apareçam as seguintes palavras: fogo | pena | sorriso. A proposta foi feita tendo como referências o blog das histórias em 77 palavras e o facto da professora ter frequentado durante o 1.º período uma formação online da responsabilidade da autor do blog mencionado Margarida Fonseca, promovida pelo Associação Educativa para o Desenvolvimento da Criatividade

Houve onze participações que passamos a apresentar:

1.ª
Era uma vez uma menina que passeava pela rua com um lindo sorriso. Por cima dela passou um pássaro que ela nunca tinha visto com penas lindas parecidas com fogo. De repente o pássaro caiu devido à rajada de vento repentina. A rapariga com pena dele foi a correr ajudá-lo. Quando o pegou sentiu uma sensação a filtrar-se pelo seu sangue. Desde esse dia ela sentia um sentimento estranho dentro de si e nela descobriu a magia . (Lara Santos e Matilde Carvalheira)
2.ª 
Existe uma vontade de nos expressar, mais concretamente uma vontade de libertar. Libertar a fúria que se suspende dentro de todos com uma chama impossível de ver, mas quando se liberta apenas pega fogo a tudo aquilo que encontra. Libertar a nossa alegria, um sorriso, é a melhor maneira de demonstrar a felicidade, sendo que pode ter mais veneno do que uma cobra. Libertar o animal que temos dentro de nós. Eu tenho uma pena, e tu?  (Maria João Ferreira)
3.ª

Amor Impossível
Há muito tempo Sol estava apaixonado pela Lua mas estes nunca se haviam visto. O Sol então quando passou pela China pediu a um pintor para que fizesse o seu retrato, o pintor com pena aceitou e pintou o retrato do Sol com um grande sorriso de fogo. Depois de terminar a pintura, o pintor mostrou à Lua o retrato do Sol. e assim a Lua ficou ainda mais apaixonada pelo seu adorado Sol.  (Maura Marinho e Tomás Batista)

4.ª


Era uma vez uma menina chamada Floribella. Ela vivia numa floresta, muito bonita cheia de flores, magia... e toda a gente era bondosa, menos...
- Só mais uma pena azul de galinha e estará pronto! - Já dizia a bruxa a sorrir  - Muito bem, Robin, lindo menino, adoro quando tu cospes fogo azul é realmente muito lindo. - Dizia Floribella para seu dragão mágico!
Nesse exato momento, assim que Floribella se afasta de Robin, tudo acontece... (Tamára Correia)
5.ª
Havia uma menina que ao passear na praia reparou que havia uma pena de pássaro na areia, levo-a para casa e mostrou-a ao pai. O pai muito admirado respondeu:
- Não sabia que eras tão interessada nestes assuntos, antes quando eu fazia coleção de penas tu dizias logo "Fogo pai ,não mexas nisso". A rapariga depois de ouvir este discurso do pai mandou um sorriso e disse:
- Eu sei, pai, mas eu já cresci e tenho de aproveitar o que a natureza nos dá. (Cristiana Santos)

6.ª

Era uma vez uma menina que era tão bem disposta que todos os dias acordava de manhã com um enorme sorriso de orelha a orelha, e isso tinha um motivo. Essa menina tinha um amigo que se chamava Jasmim, que era um pássaro. E um dia de primavera Jasmim lhe oferecera uma pena. A partir desse dia a menina passou a sorrir sempre que via o pássaro. Mas infelizmente o seu ninho pegou fogo e Jasmim morreu. (Pedro Fernandes, João Fonseca e Guilherme Marques)

7.ª

Estávamos reunidos em Viseu. Todos tinham um sorriso mais ou menos sentido. O rosto da Luísa mostrava pena pela ausência da Laura. A hora tardia aguçava o apetite, e as iguarias recém-chegadas à mesa permaneciam pouco tempo nas travessas e terrinas de porcelana que a avó Amélia usava só nestas ocasiões. O que parecia não ter fim eram as conversas do tio Artur. O fogo da saudade de outros tempos consumia-o, a ele e a nós também. (Salvador Borges)

8.ª

Durante uma noite de verão tão quente como o fogo havia uma rapariga muito solitária com apenas um amigo, o seu amigo imaginário, um pássaro com lindas penas mas ele era diferente, no meio de varias penas azuis tinha uma única pena branca por isso ele sentia-se rejeitado, mas ele adorava-o, eles estavam sempre felizes, faziam companhia um ao outro e foi ele que lhe colocou um sorriso no rosto. (Carolina Marques e Daniela Ferreira)

9.ª

Era noite de Natal, e vi a árvore cheia de presentes. Lancei um grande sorriso a todos. À meia-noite fomos abrir os presentes, e vi todos a receber muitos presentes e todos os que desejavam, mas quando chegou a minha altura, abri todos os presentes o mais rápido que consegui até encontrar o que queria. No final, vi que ninguém me tinha dado o presente que queria e disse:
Fogo! Não recebi o queria…
Tive mesmo pena(Inês Arsénio)

10.ª
O mistério do encanto do fogo, da sua energia, se é vida pode ser igualmente morte, dá prazer olhar para a lareira acesa, com o carvão incandescente. Sente-se a sedução, a sensação de medo, respeito e adoração, sentimentos que deslumbram, fascinam...É mágico, algo que nos deixa com um grande sorriso e que dá pena quando se extingue, porque se está com vivacidade é forte mas se não se alimenta desfaz-se em cinzas, um elemento feroz...enigmático...(João Carvalho)

NOTA: Alguns dos desafios não respeitam na totalidade as orientações. Os alunos já foram informados disso e poderão proceder às alterações quando quiserem até ao final do ano letivo. Optou-se por publicar os textos tal e qual foram publicados no espaço para o efeito sem que as alterações tivessem sido feitas.



sábado, 6 de abril de 2019

Como se (a)prende um novo paradigma? - III (PORT_3D)

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Era minha intenção, tal como menciono aqui, apresentar esta nova estrutura da prática pedagógica que desenvolvo apenas quando concluísse a análise de todo o meu processo formativo, uma vez que acredito que seja nesse processo que se encontre a chave que sustenta toda a transformação deste momento. 
No entanto, vou antecipar esse momento, fazendo já hoje uma sinopse da nova pedagogia adotada precisamente porque numa formação que frequentada neste momento se proporcionou fazer menção a esse aspeto.

Pese embora seja apenas uma breve referência, fica para já o anúncio. Posteriormente, irei, certamente, ter oportunidade de fazer outro post ou vários... onde apresentarei de forma mais estruturada o trabalho desenvolvido até agora.

Surgiu essa oportunidade numa das tarefas a cumprir no âmbito da formação promovida pela DGE. "Autonomia e Flexibilidade Curricular (II)". Na 5.ª tarefa do Módulo 1, foi-nos pedido que  refletíssemos sobre o seguinte:

- Que mudanças organizacionais poderá a escola promover para garantir que todos os alunos atinjam o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória?
Para materializarmos as nossas reflexões, tínhamos de participar em dois fóruns. No primeiro Fórum pediam-nos que respondêssemos à seguinte questão: Do Perfil dos Alunos à minha sala de aula – Por onde devo começar?

Respondi da seguinte forma:
"Por onde começar? - Português 3D
Todos nós, professores, já começámos. O que nos está a ser pedido não é que utilizemos um novo currículo com novos conteúdos e objetivos. O que nos está a ser exigido, neste momento, é que usemos um novo paradigma. Ora, não é um processo simples. Isso implica uma mudança que, como diz Peeter Mehisto, no vídeo disponibilizado, não é fácil. Nós registimos à mudança. Por isso, esta não acontece de um dia para o outro. Vai-se construindo. E por isso, também, todos iniciámos já esse processo de mudança, porque estamos lá todos os dias. Lá, na escola, na sala de aula.

No meu caso, em particular, tenho procurado ao longo dos anos adaptar-me e adaptar as práticas pedagógicas propostas em sala de aula às alterações que decorrem nas necessidades da formação / educação dos alunos que "passam por mim". Esse processo tem sido gradual. Lento. E também é certo que nos últimos anos, como resultado de todas as orientações emanadas do Ministério da Educação e que têm inundado as escolas com a necessidade de repensar a forma de estar na escola, em sala de aula, iniciei um processo claro de quase "ruptura" com o que fazia antes. Não com o que "dava" antes, sublinhe-se. Sem dúvida, com a forma de estar em sala de aula.

Associada a essa mudança surgiu uma necessidade de partilhar. Dizer aos meus colegas, pares o que estava a fazer. Isto porque as dúvidas têm sido muitas. As incertezas também, os momentos de reflexão imensos. Mas não é fácil. Lá está. Existe a resistência. Ainda assim, no Agrupamento onde exerço funções, o diretor tem promovido um espaço próprio para que possamos ir partilhando o que fazemos em sala de aula e esse aspeto tem ajudado a tornar o caminho mais "doce". Paralelamente, comecei a publicar online o resultado de todo este processo. Podem espreitar aqui. É recente esse trabalho e ainda faltam muitas reflexões.

O processo chama-se Português 3D, porque assenta em três dimensões:
+Responsabilidade | >Autonomia = *Aprendizagem. Tenho consciência de que se trata de algo ainda muito incipiente e que tem sido alterado quase semanalmente, às vezes, diariamente. No entanto, não tenho dúvidas de que seja este o caminho. O meu, pelo menos. :)

[+] mais [>] maior [=] igual [*] melhor

Entretanto, e porque esta ideia começa cada vez a ganhar mais forma, publica-se um pequeno vídeo com a sinopse do projeto PORT_3D:

quinta-feira, 21 de março de 2019

9.º Ano. E agora?! - Oralidade_9Ano | 2P (2018/19)

ATIVIDADE: 9.º Ano. E agora?!
OBJETIVO: Fazer uma apresentação oral, seguindo orientações prévias
RECURSOS: ppt+áudio
TEMPO: 5 min. 

DESCRIÇÃO: A proposta foi feita em sala de aula no início do 2.º Período. Manteve, nas suas linhas gerais o mesmo desenho de atividade proposto no ano passado, ainda que com alguns aspetos ligeiramente diferentes. Inicialmente, pensada para que esta fosse a primeira de duas propostas de apresentação formal no domínio da oralidade, concluiu-se que os alunos não estariam dispostos a tal, uma vez que a aproximação do prazo de envio do primeiro trabalho se aproximava e ainda não havia sido enviado qualquer trabalho.
Neste momento, os alunos desenvolvem os seus percurso de aprendizagem de forma quase autónoma e respeitando o seu ritmo. Assim, apostou-se na construção de dois recursos que pudessem suportar esta atividade. Por um lado um ppt e o respetivo áudio a acompanhar. Ainda não se experimentaram ferramentas online que pudessem, eventualmente, sintetizar esta materialização (ppt + áudio) uma vez que para o feito convém que o aluno se sinta à vontade na construção do seu trabalho e o faça o mais autonomamente possível. Ora, tendo em conta os contextos em que aprendem, o ppt e áudio são dois recursos cuja construção já dominam com relativa facilidade.
No seu processo de entrega da atividade para assimilação por parte do aluno, é apresentado aos alunos com a descrição sumária dos vários momentos da atividade e que devem ser seguidos. A temática proposta relaciona-se com o facto dos alunos estarem a concluir o 3.º Ciclo e terem, já no final deste ano letivo, de decidir, pelos menos, a área de estudos a seguir. É um momento de dúvida e alguma ansiedade. Assim, sugerimos este trabalho que talvez ajude a organizar ideias. O trabalho deve ser apresentado em dois momentos, no primeiro os alunos descrevem sumariamente o seu percurso escolar, descrevendo-se como estudantes, referindo aspetos mais relevantes. Na segunda parte, exploram as possibilidades de futuro.  
Dá-se a possibilidade dos alunos enviarem para pré-avaliação o recurso. Como o tempo que mediava a apresentação da proposta de trabalho e o do prazo de envio/entrega ainda era considerável, considerou-se necessário fazer, também, o registo da proposta em áudio, a fim de  proporcionar maior conforto aos aluno na construção do seu trabalho. 

Publicamos alguns dos trabalhos:

9.º Ano. E agora?! || O meu percurso escolar + áudio (só deve ser ligado depois do ppt estar aberto)


(em atualização)

quarta-feira, 20 de março de 2019

"Alunos preferem as aulas com professores-robot" - Apontamento

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Ontem, vi publicada, no Facebook,  a foto que acompanha, aqui do lado esquerdo, estas palavras. 

O título, "Alunos preferem as aulas com professores-robot", uma tradução muito à letra de "Pupils prefer lessons with robot teachers",  é provocador. Pelo menos na minha leitura. Li-lhe essa intencionalidade e, por isso, fiquei interessada e acabei por ler o texto.

No artigo, lê-se, logo no primeiro parágrafo, que os alunos preferem as aulas dadas por robôs em vez de professores "reais" pelo facto dos primeiros serem menos críticos e frustrados que os segundos. Outra vantagem seria ainda o facto de os alunos poderem fazer a mesma pergunta ao robô sem que este se mostrasse aborrecido. É ainda considerado vantajoso pelos alunos o facto de um professor-robot não saber se no dia anterior eles, os alunos, se tinham portado mal ou até se teriam algum problema ou doença. 

Claro que este post suscitou comentários. Quando vi a caixa de comentários. Antes do meu, já havia cinco comentários. Todos eles contra essa ideia de que um robô pudesse substituir o professor real.

Mas eu não penso assim. E resolvi, também, comentar. O que escrevi foi o seguinte:




"Bem... Nesta última semana, tenho repetido a seguinte frase aos alunos: "Olhem para mim como uma daquelas máquinas de café em que pomos a moeda e o café cai." E sabem o que acontece? Em vez de me pedirem de forma vaga e apenas "a folha dos exercícios" que podem ser para uns do verbo, para outros da pontuação, nomes, adjetivos, guião da entrevista, etc, começam a pedir, precisamente, aquilo que querem, ou seja, os exercícios da flexão do verbo, o guião do relatório, etc. E os documentos são distribuídos. Pois é. E sabem, funcionando com eles e entre eles quase como uma máquina que os orienta na operacionalização de cada um dos percursos que cada um vai também desenvolvendo, portanto, quase como se fosse uma máquina, nunca me senti tão humana ali, na sala de aulas e tão perto deles. Por isso, eu percebo essa preferência e não podia estar mais de acordo."

Talvez devêssemos pensar melhor e mais neste assunto. Afinal, trabalhamos para e com eles. Isto se  é mesmo verdade que preferem aprender assim, sem afetos. Mas estes também são precisos. No entanto, e se calhar ou não, no momento em que entregamos, em inglês é muito melhor o verbo - delivery -, o processo de aprendizagem ao aluno, esse momento deveria estar livre de qualquer emoção. Sim, porque isso pode condicionar a construção do conhecimento que o aluno tem o direito a fazer livre de qualquer intencionalidade individual nossa. Não os devemos influenciar, nem servir de muleta. Pelo menos é isso que dizemos, que os queremos responsáveis e autónomos. E o pensamento crítico? Queremos que eles pensem ou que pensem como nós?

Mas e os afetos? Não serão também tão importantes? Há quem diga que sim. Pode um aluno gostar daquele professor que funciona como se de um robô se tratasse quando o orienta para aprender?

Claro que pode. Ao professor também compete ser humano. O professor é uma pessoa. E como se faz isso?

Também tenho umas ideias a partilhar sobre o assunto. Hoje, fica mesmo só este apontamento para não me alongar e preciso de começar a estabelecer temáticas distintas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Como se (a)prende um novo paradigma? - II

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Estou apostada em desenvolver a partir de agora uma forma diferente de estar em sala de aula. Não precisaria de aqui partilhar esta impressão, ideia, projeto. Ainda assim sinto essa necessidade porque uma parte da justificação que levou a esta mudança de paradigma está diretamente relacionada com a minha competência adquirida ao longo dos anos no domínio da pedagogia em elearning. E essa mestria está relacionada, tem de estar,  com o saber estar na rede. É-lhe inerente. As ferramentas da web 2.0 têm na sua essência essa permanente e natural necessidade de serem partilhadas. É dessa forma que se constrói o conhecimento nesse e neste mundo.

Por isso, nada mais natural para mim do que estar aqui a escrever estas palavras. Posso mesmo dizer que é quase uma necessidade. Este processo de escrita permite uma reflexão que vai exigindo em simultâneo a tomada de decisões. Concomitantemente, vou criando neste preciso momento situações mentais de aprendizagens que irei, a posteriori, usar na construção de situações de aprendizagem. Em suma, trata-se de uma partilha generosa, digamos assim, mas é, também, e antes de mais, uma ajuda a todo este processo. Sei que na escrita no papel isto não me acontece. 

No seu título, este post tem o número II, porque se trata da continuação deste.

Sim, porque tudo o que fazemos tem as suas referências e este meu projeto de mudança está sustentado por múltiplos fatores, um dos quais a sua própria fundamentação. 

Tem-me acontecido encontrar em partilhas da rede social Facebook, particularmente, referências a estudos e experiências onde se podem ler referências a literatura que poderiam sustentar todo o trabalho que tenho realizado. Vou guardando, na esperança de um dia ter como as ler. Ou, então, encontrar uma parceria que, mais desafogada de tempo e sem a responsabilidade de todos os dias "enfrentar" cinco turmas de alunos, consiga sustentar em teoria tudo o que aqui irei descrever à laia de memória descritiva. 

No entanto, para vir a chegar ao momento em que apresentarei a estrutura desta nova forma de trabalhar, sinto, em mim e por mim, esta necessidade de encontrar a chave de todo este processo. Como se fosse importante, mais, relevante, conhecer a matriz. Afinal, todos temos necessidade de saber de onde viemos para saber quem somos e perceber o que andamos a fazer.

E é por isso que, neste segundo momento, já vai longo, continuarei a fazer menção à questão da formação. Sim, sem dúvida, como dizia no post do dia 9 março, um aspeto muito importante para esta construção. E se nesse dia aludi, e aplaudi, com saudade melancólica, o momento inicial da minha formação após a licenciatura, momento que foi totalmente desprovido, como poderão recordar aqui de qualquer formalismo, hoje, termino por remeter para esta página onde poderão identificar todos os momentos formais de formação por mim frequentados até hoje. Ainda não está atualizado com a  formação feita neste ano letivo. 

Não me irei alongar mais, por agora. Apenas registo ainda que nos próximos postes irei destacar aqueles momentos de formação que, na minha ótica, mais terão contribuído para a aprendizagem deste novo paradigma. 

sábado, 9 de março de 2019

Como se (a)prende um novo paradigma? - I [ A relevância da formação_Parte I]

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  A relevância da formação_Parte I
O que é ser professor em 2019 e trabalhar a partir de um novo paradigma? Pois.
Essa é a questão.

Claro que a resposta é simples, demasiado simples: o novo paradigma é passar a ter o aluno ao centro. Aliás, existe um projeto com essa designação.

E claro que a ideia também é simples. E, no fundo, todos os que são professores acreditam que todos os dias, em todas as "suas" salas de aula cumprem esse desígnio.

Será?

E será que as aulas continuam a ser suas? Será que alguma vez o foram?

E como se operacionalizam as ideias, os planos, as atividades nesse novo paradigma? Como se trabalha, em sala de aula de 15, 20, 25 alunos, nesse paradigma? Todos os dias? Com todos os conteúdos? E em cumprimento de todas as Aprendizagens Essenciais, Competências e Programas?

Pois.

A resposta não é simples. Mas possível. Onde se aprende? Qual é a formação?

Comecei há quase trinta anos, no Algarve, colocada em Messines, a aprender aquilo que agora ponho em prática. Residi durante alguns meses em Algoz, lugar a meio caminho entre Messines, Albufeira, a Guia... Ou do outro lado Armação de Pera, depois Portimão, Lagos, Sagres...

Nesse lugar, arrendara um daqueles espaços que no inverno era ocupado por professores e onde, depois, no verão, pernoitavam os turistas... Era um dos anexos de uma vivenda cuja dona ("senhoria") já fora, também, professora e, naquela altura, passara a inspetora. Tivemos imensas conversas. Professora do 1.º Ciclo tinha um saber de experiência feito que gostava, queria, e passava a quem com ela "perdia" minutos, horas a falar. Naquela altura, já não a "deixavam" fazer o que começara a fazer enquanto inspetora. Ou seja, fora para inspetora, numa altura em que se desejava que estes, os inspetores, fossem uma espécie de formadores itinerantes. E a professora Eulália gostava do que fazia. Porque gostara de ser professora e sentira que estava na hora de passar a palavra. E, por isso, gostara de ser inspetora no princípio. Depois, quando a "proibiram" de conversar com  os professores que inspecionava sobre a(s) pedagogia(s) e a sala de aula e os alunos, deixou de gostar do que fazia.

Contou-me que acompanhara, nesses primórdios,  um projeto, segundo me lembro, foi mesmo a professora Eulália que o iniciou, apelidado de OFA (Observa, Faz e Aprende). Quando a ouvia falar, tudo aquilo fazia tanto sentido para mim. Sim, eu acreditava naquilo. Sim, eu era um exemplo. Era possível aprender, observando e fazendo. Provavelmente, é assim que mais aprendemos. Eu aprendera muito assim. Aprendo. E vejamos o sucesso das atividades experimentais das aulas de ciências, sejam elas naturais ou as agora só físico-químicas. Pensemos na educação física. Nas TIC, educações visuais e tecnológicas.

É assim que mais se aprende: observando e fazendo.

E, julgo que esse terá sido o meu primeiro momento de formação. Quase fortuito, sem  inscrição, sem créditos, sem contagem de horas. Gratuito certamente. Mas tão importante, tão relevante.

E foi aí, também não tenho dúvidas, que este novo paradigma começou a nascer.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Entrevista fictícia a Alice Vieira

No Percurso de Aprendizagem (PA) proposto nas turmas do 7.º Ano onde se pretende que cada  aluno se aproprie do conhecimento e técnica necessárias para identificar, ler e compreender entrevistas e ainda seja capaz de produzir um guião de uma entrevista, propôs-se que fosse feita uma entrevista fictícia a Alice Vieira. 
Foi disponibilizado um guião e dados biográficos sobre a escritora, podendo o aluno pesquisar mais, tendo de solicitar a validação da pesquisa.
O trabalho foi desenvolvido em sala de aula.

Publicam-se três dos produtos finais, podendo o post ser futuramente atualizado, conforme a atividade for sendo concluída por mais alunos. Refira-se que os alunos desenvolvem o trabalho, respeitando o seu próprio ritmo. Todo o trabalho é supervisionado e coordenado pela professora. 

ENTREVISTA 1
A escritora Alice Vieira foi convidada para ir a biblioteca da escola Dr. João das Regras falar um pouco sobre o seu livro Rosa, minha irmã Rosa e, por isso, fomos falar com ela.
Pergunta:
Como foi receber o prémio de literatura infantil, ano internacional da criança com o livro Rosa, minha irmã Rosa?
Resposta:
Foi muito bom não estava nada a espera fiquei muito feliz ao saber que tinha ganhado o prémio de literatura infantil.
Pergunta:
Alice sempre disse que nunca na vida queria ser escritora mas sim jornalista. Porque é que não seguiu  só jornalismo?
Resposta:
Eu sempre fiz trabalhos de jornalismo mas à medida que ia escrevendo pensei em publicar alguns livros e vi que até como escritora tinha muito para dar e então segui um pouco dos dois.
Pergunta:
Como foi o teatro na sua vida?
Resposta:
Eu sempre adorei teatro ia sempre com os meus tios ao teatro D. Maria II como também a revista do Parque Mayer. O teatro entrou muito cedo na minha vida eu conhecia aquela gente toda, ia ao bastidores todos falavam comigo.
Pergunta:
Onde gosta mais de trabalhar?
Resposta:
Onde eu gosto mais de trabalhar é na Ericeira. Adoro pegar no meu computador e ir para a Ericeira trabalhar.
Pergunta:
O que quer continuar a no futuro?
Resposta:
No tempo que me resta aquilo que queria realmente era continuar em jornais. E também continuar a escrever mas não sei ainda o que.

O livro de Alice Vieira "Rosa, minha irmã Rosa", ganhou o Prémio de leitura infantil no ano internacional da criança em 1979.
Alice vieira sempre quis ser jornalista mas foi descobrindo a sua vontade de escrever e publicar livros e hoje em dia e considerada uma das mais importantes escritoras portuguesas de literatura infanto -juvenil.
O teatro foi uma das coisas mais importantes na vida da escritora. 
Leonor B.

ENTREVISTA 2

Alice Vieira foi convidada a vir à biblioteca da escola E.B 2,3 Dr.João das Regras para falar aos alunos sobre os seus livros com objetivo de falar sofre um livro em especial : Rosa, minha irmã Rosa
Como muitos alunos têm irmãos e para também perceberem o porquê de Alice Vieira ter escrito este livro. Fomos falar com ela.
Pergunta: Porque é que decidiu escrever este livro?
Resposta: Porque era um tema de que eu gostava de falar , neste caso escrever. Eu nunca quis ser escritora, eu adorava escrever e aprendi a ler sozinha, mas o meu sonho era ser jornalista.  
Pergunta: Porque decidiu ser escritora e não atriz?
Resposta: Porque apesar do teatro entrar na minha vida muito cedo, e ir muitas vezes com os meus tios... as minhas tias nem tanto...Ler e escrever era a minha vida.
Pergunta: Por onde começou?
Resposta: Comecei desde cedo a trabalhar no jornalismo, tendo trabalhado em alguns jornais como: " Diário de Lisboa ", e também com o meu marido no " Diário Popular " e " Diário de Notícias " e também em revistas como " Ativa " e o " Jornal de notícias ". Tudo isto me ajudou a praticar a escrita.
Pergunta: E como foi ganhar o prémio Hans Christian Anderson?
Resposta: Foi incrível, trata-se do mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens.
Pergunta: E o que pensa fazer no futuro?
Resposta: No tempo que me resta, aquilo que realmente queria fazer era continuar em jornais ou até escrever livros de poesia. Vou pegar no meu computador e ir para a Ericeira trabalhar.
Com isto percebemos que de novos a mais velhos a leitura e a escrita vão estar sempre presentes.
Alice Vieira é prova viva de que por mais de uma vida de trabalho e de prémios que podemos receber, tivemos de aprender primeiro e praticar a vida toda. E que por mais velhos e cansados que estivermos, devemos fazer o que nos faz feliz, e Alice Vieira prova-nos isso mesmo nesta entrevista.
Carolina M.

ENTREVISTA 3

  A escritora Alice Vieira foi convidada para ir a escola EB 2,3 Dr. João das Regras para falar do seu livro Rosa, Minha Irmã Rosa, que foi o primeiro livro publicado pela autora, tendo esse livro recebido o prémio de Literatura do Ano internacional da Criança. Alice Vieira foi convidada para vir à nossa biblioteca escolar, pois os alunos gostavam imenso dos seus textos porque os achavam inspiradores e muito expressivos, por isso fomos falar com ela.
   PerguntaComo foi receber os prémios que recebeu?
   Resposta: Fiquei muito surpreendida, não estava a estava à espera, sendo que até o primeiro livro que publiquei foi premiado mas foi uma alegria e uma emoção enorme.
   Pergunta: Como é sentir que as pessoas gostam de ler os seus livros?
   Resposta: É uma alegria enorme, uma sensação de preenchimento. Nós escrevemos livros para contar a nossa história ao mundo, nós escrevemos porque precisamos de nos libertar e a escrita é a melhor maneira para isso.
   Pergunta: Já sabemos que sempre foi muito apegada ao teatro gostava de representar um dia?
   Resposta: Adorava porque sempre fui ao teatro com os meus tios e tenho vários amigos nesse ramo. Adorava representar, acho ótimo entrarmos na pele de outras pessoas e termos oportunidade de sentir o que elas sentem.
   Pergunta: Como é sentir que as pessoas estão a ler cada vez menos?
   Resposta: Ainda bem que fez essa pergunta porque as pessoas estão a ler cada vez menos e qualquer dia com muita pena minha vai deixar de haver livros, por isso, devemos sensibilizar as pessoas a lerem cada vez menos porque também as ajuda a desenvolverem-se e a desenvolverem a fala, entre outras coisas.
   Pergunta: Como é que a sua família reagiu ao facto de se tornar escritora?
   Resposta: Muito bem, na verdade muito melhor do que estava à espera, encorajaram-me imenso e apoiaram-me sempre para que eu não desistisse.
    No final da entrevista Alice Vieira fez uma sessão de autógrafos do seu livro Rosa, Minha Irmã Rosa. A entrevista correu muito bem e a autora mostrou-se sempre disponível e bem disposta para responder a tudo. Percebemos também que a a escritora não tem qualquer problema em falar do seu passado.
Daniela F.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Hora de mudar... Português 3D


De repente estamos numa sala de aula silenciosa, onde tudo funciona bem. Onde não há ruído, os miúdos vão fazendo... No momento a seguir, continuamos naquela sala de aula e começamos a perceber que os miúdos vão fazendo e até estão em silêncio, mas pouco vão aprendendo. Ou melhor, alguns vão aprendendo. Outros não fazem barulho já que isso iria provocar a reação da professora. E aprender? Quantos aprendem? Aqueles que cumprem as várias tarefas. Aquelas que seguem as orientações. Aqueles que desenvolvem as atividades. Aqueles que começam e acabam.
Mas, e quantos são?!
Pois, cada vez menos. Cada vez menos. Portanto, havia que proceder a mudanças, havia que tornar o terreno árido em algo que fosse verdejante.

E foi a perceção de que cada vez menos alunos fazem "coisas", cumprem tarefas, desenvolvem atividades que exigiu uma mudança de paradigma. Se é certo que já muitas das atividades propostas em sala de aula exigiam a participação direta dos alunos, também é certo que se tratavam ainda de propostas desenhadas para o grupo / turma, tendo como tempo de realização aquele que a professora considerava necessário para a sua concretização. Ora, nem sempre é assim. O tempo dos alunos não é o tempo dos professores.
Portanto, e se o foco passasse a ser no tempo deles? Faria diferença? Fez. Esse pormenor foi suficiente para que o trabalho, em sala de aula, passasse a ser efetivo. E, o mais importante, para todos. Ou seja, todos os alunos passaram a percorrer o mesmo caminho. Todos os alunos constroem o seu conhecimento, através de um percurso igual, mas desenvolvido a tempos diferentes. Até agora, esse pormenor está a fazer toda a diferença, já que permite maior individualização, diferenciação e, principalmente, permite que cada aluno desenvolva o seu espaço de autonomia, tomando consciência do seu próprio percurso, das suas facilidades e dificuldades. 

Esta quase exigência de mudança surgiu num ano em que a professora frequentava uma ação de formação sobre a gestão de conflitos em sala de aula, sendo que uma das propostas de medidas para superação desses problemas residia precisamente nas propostas de atividades sustentadas em trabalho de equipa. Por outro lado, aproximava-se a altura de ter de trabalhar em turmas do nono ano Os Lusíadas. Texto que cada vez se torna mais difícil de trabalhar à luz da leitura clássica...

Assim, juntando esses dois fatores, aconteceu o surgimento do Método Português 3D. Inicialmente, pensado para as seguintes três dimensões: Cidadania, Conhecimento, Criatividade, neste momento assenta em três pilares diferentes mas que estão a permitir a construção de grupos de estudo, primeira etapa para adquirir competências para o estudo e aprendizagem: Responsabilidade, Autonomia e Conhecimento (Aprendizagem). 

Através de percursos de aprendizagem (PA) desenhados de forma a que cada aluno, individualmente ou em pequenos grupos (equipas), possa construir o seu conhecimento, os alunos vão sendo responsabilizados pelo tempo de estudo / trabalho que demoram a desenvolver os percursos. Desta forma, tornam-se não só mais responsáveis, mas também autónomos. O que irá garantir, acredita-se e começa-se a provar, o seu sucesso. 

Neste caminho, há espaço e tempo para um apoio mais individualizado por parte da professora que, pontualmente, e quando necessário, propõe medidas diferenciadoras aos alunos que delas necessitem. No entanto, tem sido interessante verificar que todos os alunos conseguem desenvolver os percursos, variando apenas o tempo em que os concluem. Começamos a acreditar que será possível trabalhar assim todos os dias do ano em todos os anos. É preciso tempo.