domingo, 24 de maio de 2009


Leandro, rei da Helíria - uma leitura

Este texto foi escrito para ser dramatizado. É, por isso, um texto dramático. Fala sobre um rei – Leandro – que, certa noite, sonhou que deixaria de reinar. Decidiu, então, deixar o reino à filha que mais o amasse.

As duas filhas mais velhas compararam o amor ao pai a “coisas” imensas, como o Sol e o céu. A filha mais nova disse que gostava tanto do pai, como a comida precisa do sal. Imediatamente, Leandro expulsou Violeta (filha mais nova) do reino e deixou-o às outras duas filhas.

Leandro, rei da Helíria, de Alice Vieira e da Editora CAMINHO, é uma história deveras “real”, pois mostra como as pessoas estão habituadas a palavras grandiosas e, depois, palavras mais simples, mas com um grande significado, são desvalorizadas. Apela ao saber perdoar (mesmo as pessoas que nos fizeram “coisas” menos boas), mostra que o amor não se mede com palavras, mas, acima de tudo, esta obra mostra como a vida pode dar uma volta de 180º…

No excerto que se segue podemos assistir a um diálogo onde se apresenta precisamente a importância de palavras tão simples, como, no caso, a gratidão.


PRÍNCIPE REGINALDO: Com um coração trazemos as pessoas que amamos para dentro de nós próprios, e é através dos seus olhos que vemos o mundo, e é através dos seus ouvidos que ouvimos o cantar das aves e das ondas do mar, e é através das suas mão que sentimos a suavidade do linho ou da areia das praias…
PRÍNCIPE FELIZARDO: Ui, isso deva fazer cá uma impressão danada…
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRINCIPE FELIZARDO: Ah, mas ainda não ouvistes tudo! Por cada filho que a minha Amarílis me der, ofereço-lhe, ora deixa cá ver, Felizardo… tira o rolo de papel da algibeira) … vinte lingotes de ouro maciço! É obra, hã?
PRÍNCIPE REGINALDO: Pois a minha amada Violeta receberá, por cada filho que me der, ainda mais amor, e toda a minha gratidão.
PRÍNCIPE FELIZARDO: Gratidão? Palavra estranha…
PRÍNCIPE SIMPLÍCIO: Tiraste-me as palavras da boca!
PRÍNCIPE REGINALDO: É a palavra que deve sempre andar ligada ao amor pois, sem ele, não faz sentido nenhum. assim me ensinaram meus pais e meu avós, e assim ensinarei aos filhos e netos que um dia tiver.
PRÍNCIPE FELIZARDO: Cá os meus pais ensinaram-me a somar dois e dois, e mais do que isso nunca precisei de saber. (pág. 45 e 46)

Sara Félix
8ºE